sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dou por mim deitado, a ouvir a minha respiração, tentando que a minha mente não se perca. Inevitável, em segundos já estou noutra dimensão, a pensar no que vem, a inventar estórias, a criar ilusões, lá dou por mim perdido, sem rumo, esqueci o presente, o momento que define o que sou, o meu estado natural, o agora, que já passou. Penso porque viajo em ilusões, porque não passo dos 20, 30 segundos de presente, o porquê deste turbilhão, estas criações apenas transmitem sensações de angústia, o que não fiz, o que vou fazer, como, a imaginação no seu melhor, numa ilusão ridicula sem propósito e sem se definir o fim, ou mesmo um principio.
Percebo que perdi o presente, como ganho o futuro? Já alguém tentou parar e ouvir a sua respiração? Sentir as batidas do coração, a nossa vida, o nosso presente, o momento? Estamos sempre angústiados a sonhar sobre o que gostamos, o que queremos, o que eu, eu, eu, eu...e os outros? Custa-me às vezes perceber o que sou, porque sou, porque estou aqui e tenho os pais que tenho, a mulher, os amigos, a minha realidade. É igual à dos outros? Vemos da mesma forma as realidades, as ilusões?
Olho a janela, vejo um frenesim de metal a trabalhar, homens a manobrar, numa energia organizada, têm uma função que os identifica, mas estarão cá para isso? Para torcer metal, martelar, cortar, construir casas. Não vislumbro o presente neste momento, carros em movimento, filas intermináveis, gruas a movimentar-se, blocos de cimento suspensos, pessoas a andar, muito depressa tudo mexe, sinto o presente num constante futuro, não se percebe o presente, vejo um segundo de passado a correr para um segundo do futuro, penso mais uns minutos e sou eu num salto entre passado e futuro. Uma impermanência constante, nada dura, passado, futuro, passado, futuro. E o presente? Aquele momento? O agora?
Lá está a minha mente a passar do passado para o futuro, está num frenesim igual ao do trânsito, sempre em movimento, sem estar aqui e agora...